Segundo estatísticas da Polícia Civil de Minas Gerais, o número de denúncias de maus-tratos contra animais no estado, cresceu 37% em 2020, em comparação com o ano anterior. De janeiro a novembro, foram registradas em média seis denúncias relativas a esse crime, por dia. Com as viagens de fim de ano e férias em janeiro, a tendência é de que, situações de maus-tratos devido ao abandono de animais, seja ainda maior.

Em entrevista ao Estado de Minas, o presidente do CRMV-MG, dr. Bruno Divino Rocha, enfatizou a importância do combate a prática, que é crime, e como os animais são prejudicados mediante aos atos de maus-tratos cometidos por seus tutores.

“Estamos vivendo uma situação diferente com a pandemia. As pessoas estão passando mais tempo em casa com os animais e eles se adaptam a isso. Vira uma nova rotina para eles. Com as viagens de fim de ano e a separação dos animais de suas famílias, o sofrimento acaba sendo maior”, afirma dr. Bruno.

Procurar um entendimento com os vizinhos que têm cães e os abandonam quando viajam é um dos primeiros passos para tentar preservar o bem-estar dos animais. “O entendimento é preferível. Mas nem sempre isso é possível. Então, cabe a denúncia. Pode-se procurar a Polícia Militar, a Guarda Municipal e a delegacia de proteção à fauna da Polícia Civil. São vários os sinais que indicam o abandono e os maus-tratos, como o choro do animal e o arranhar das portas, por exemplo”, pontua.

O presidente do CRMV-MG também lembrou que a solidão e o abandono, podem trazer alterações físicas e não apenas comportamentais aos cães e gatos. “Não é um quadro simples. Vem com alterações hormonais. Aumenta a presença de cortisol no sangue, de hormônios do stress. Com isso, a imunidade sofre baixa, aparecem infecções urinárias e feridas de pele”, descreve.

Diante da situação de viagens, muitos tutores tendem a buscar hotéis para deixar seus cães. No entanto, é necessário observar aspectos que podem indicar uma prestação de serviço legal e adequada. “Antes de se contratar um serviço de hotel é importante verificar se os estabelecimentos estão registrados, se têm apoio de clínicas caso ocorram emergências e se contam com um veterinário responsável”, alerta o presidente do CRMV-MG.